Mukurtu
O que é¶
Mukurtu é uma plataforma gratuita e de código aberto para gerenciar e compartilhar patrimônio cultural digital, criada e mantida em colaboração com comunidades indígenas pelo Center for Digital Scholarship and Curation da Washington State University. É uma distribuição do Drupal (sistema de gestão de conteúdo), mas se diferencia de plataformas de acervo genéricas como o Omeka S ou o Tainacan por um recurso central: protocolos culturais que permitem que a própria comunidade defina quem pode acessar cada item, de acordo com seus próprios valores e regras — não apenas um controle técnico de permissões, mas uma estrutura pensada para respeitar formas indígenas e tradicionais de conhecimento.
Para que serve¶
- Definir protocolos culturais de acesso a cada item do acervo, de totalmente aberto a estritamente restrito, de acordo com regras definidas pela própria comunidade
- Adicionar Traditional Knowledge (TK) Labels — etiquetas que informam como um material deve ser usado, circulado ou atribuído, complementando (não substituindo) o direito autoral convencional
- Registrar múltiplas narrativas sobre um mesmo item ("community records"), permitindo que diferentes vozes e sistemas de conhecimento coexistam na descrição de um mesmo objeto
- Preservar a integridade dos metadados na importação e exportação de dados ("roundtrip")
Exemplo de uso¶
Uma equipe de pesquisa está trabalhando em parceria com uma comunidade indígena para digitalizar gravações de narrativas orais e objetos culturais. Em vez de publicar tudo com acesso público irrestrito, a comunidade define, junto com a equipe, quais materiais podem ser vistos por qualquer pessoa, quais só por membros da comunidade, e quais exigem autorização específica — tudo configurado no Mukurtu por meio dos protocolos culturais, com TK Labels explicando o contexto de uso apropriado de cada item.
Quando pode não ser a melhor opção¶
- Se o projeto não envolve patrimônio cultural indígena ou tradicional com necessidades de protocolo comunitário: ferramentas mais genéricas, como o Omeka S ou o Tainacan, tendem a ser mais diretas
- Se você precisa de preservação digital de longo prazo (com verificação de integridade de arquivos, formatos de preservação): o Mukurtu não é uma solução de preservação digital — ele mesmo se posiciona como parte de um ecossistema maior de curadoria digital, não como substituto de ferramentas como o Archivematica
- Se você não tem equipe técnica para administrar um site Drupal: a instalação e manutenção exigem conhecimento técnico; há opções de hospedagem paga (Reclaim Hosting, Mukurtu Hosting) para quem prefere não lidar com isso
- Se a decisão de usar protocolos culturais não envolveu a comunidade detentora do patrimônio: o valor da ferramenta depende de um processo real de consulta e colaboração, não apenas da configuração técnica
Tipo de acesso¶
Totalmente gratuito e de código aberto (licença GPL v3). A hospedagem pode ser feita por conta própria ou contratada separadamente (por exemplo, com a Reclaim Hosting ou o serviço Mukurtu Hosting, mantido pela própria equipe da WSU).
Sistemas em que roda¶
Acessado pelo navegador. A instalação requer um servidor compatível com Drupal (tipicamente Linux, com PHP e banco de dados).
Integrações¶
- Drupal (o Mukurtu é construído como uma distribuição do Drupal, aproveitando seu ecossistema de módulos)
Alternativas¶
- Omeka S (plataforma genérica de publicação de coleções, sem protocolos culturais dedicados)
- Tainacan (também genérico, plugin de WordPress)
- AtoM (focado em descrição arquivística formal, normas ISAD(G))
Aprenda a usar¶
Onde encontrar¶
- Site oficial: https://mukurtu.org/
- Documentação e suporte: https://mukurtu.org/support/
- Repositório: https://github.com/MukurtuCMS/mukurtucms
Observações¶
O Mukurtu é referência internacional em ferramentas digitais desenvolvidas em colaboração direta com comunidades indígenas, e não apenas para elas — o processo de design envolveu consulta contínua com organizações indígenas. Para pesquisa histórica ou antropológica em parceria com comunidades tradicionais no Brasil, vale considerar o Mukurtu como modelo de como equilibrar acesso digital e protocolos de conhecimento tradicional, ainda que a adoção local possa exigir adaptação de contexto.