6. Perguntas frequentes¶
As respostas abaixo condensam orientações desenvolvidas ao longo do guia e remetem às seções em que cada tema é tratado com mais detalhe.
1. Posso usar IA para escrever minha dissertação ou tese? Sim, para apoiar etapas em que você continua sendo a origem e a revisora de cada decisão, como destravar um parágrafo, reorganizar um argumento já elaborado ou revisar a redação. O uso deixa de ser adequado quando a ferramenta formula a pergunta de pesquisa, a interpretação central ou redige seções inteiras que você não seria capaz de defender. A responsabilidade pelo conteúdo é sempre humana (ver 3.1 e 5.2).
2. A IA pode ser autora ou coautora de um trabalho? Não. Autoria pressupõe compromisso com as afirmações, capacidade de justificá-las e responsabilidade por erros e omissões, o que cabe apenas a pessoas. Mesmo quando uma ferramenta participa de alguma etapa, a autoria e a responsabilidade permanecem humanas (ver 3.1).
3. Preciso declarar o uso de IA? Como? Sim, sempre que o uso for pertinente. A Portaria CNPq nº 2.664/2026 determina declarar o uso de IA generativa em qualquer fase da pesquisa, informando a ferramenta e a finalidade. Na COC, desde junho de 2026, um modelo de Declaração acompanha o dossiê de qualificação e defesa. A declaração deve ser proporcional à relevância do uso (ver 3.3 e Anexos).
4. Como registrar o uso de IA no trabalho? Informe a ferramenta, a versão, a data, a finalidade e a etapa em que foi usada, de forma proporcional à influência sobre o resultado. Esse registro não substitui a referência às fontes: informações e citações incorporadas ao trabalho continuam exigindo referência às obras originais (ver 3.2 e 3.3).
5. Como verificar se uma fonte sugerida por IA existe? Confirme se a obra existe, localize-a em uma base confiável, consulte o texto original, verifique se o autor de fato sustenta o que a IA lhe atribuiu, avalie a pertinência para o trabalho e registre a referência completa. Nenhuma referência sugerida por IA entra no trabalho sem essa verificação (ver 3.2 e 4.1).
6. Posso usar IA para tratar dados de pesquisa? Depende do dado. Dados públicos ou adequadamente anonimizados podem ser usados com cuidado; dados pessoais, sensíveis, sigilosos ou ainda não publicados não devem ser inseridos em ferramentas externas não autorizadas. Inserir um dado em uma ferramenta significa transferi-lo a servidores de terceiros. Observe a LGPD e as normas da Fiocruz (ver 3.5).
7. Posso usar IA para transcrever ou traduzir minhas fontes? Sim, como apoio operacional, desde que o resultado seja conferido com a fonte original. Transcrição e tradução automáticas podem omitir trechos, normalizar grafias ou introduzir termos ausentes. Registre as transformações e preserve as características relevantes da fonte (ver 4.2).
8. A IA pode avaliar o trabalho de outra pessoa, como em um parecer ou revisão por pares? O julgamento sobre mérito, rigor e originalidade é sempre do avaliador. É vedado inserir o manuscrito inédito de outra pessoa em ferramentas de IA para gerar pareceres (Portaria CNPq nº 2.664/2026, art. 9º, alínea “e”), medida que protege a confidencialidade da avaliação e os dados de terceiros (ver 5.3).
9. Como usar imagens geradas por IA na divulgação científica? Trate-as como representações construídas, nunca como documentos ou fotografias históricas. Declare o uso de IA de forma visível no texto, na legenda e junto à imagem, oriente a ferramenta para a diversidade e revise cada resultado, usando materiais em domínio público ou devidamente autorizados (ver 4.4.2).
10. A IA vai substituir o pesquisador ou o historiador? A pergunta mais útil não é essa. As ferramentas reorganizam o que pode ser visto, relacionado e perguntado, e transferem certas operações aos modelos, mas a interpretação, a crítica das fontes e a decisão continuam sendo humanas. O guia trata de usar essas ferramentas sem abrir mão do rigor (ver 2).